quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Invisible Martyr - Capitulo Treze - O Mundo Devora Nossas Emoções




 Capitulo Treze -  O Mundo Devora Nossas Emoções

 — Já foi metade do dia e eu estou parecendo um morto jogado neste sofá.
 Lance olhava para o teto do escritório com os olhos semicerrados, entre o cigarro a qual as cinzas estavam caindo sobre o sofá vermelho, o grande pesadelo de Medi Lusa quando ela olha que o móvel estava já com marcas de queimadura de cigarro.
 — Pelo amor de Deus, não tem como fumar lá fora? Olha a droga que você faz no sofá!
 Ele demonstra uma carranca no rosto enquanto se ajeitava para sentar na beirada, amassando a bituca na mão e a jogando pela janela, ele acordou bem tarde, e ainda gostaria de dormir mais um pouco, ontem foi um horror para ele conseguir pregar sequer um olho, e torcendo pelos céus a não ter um pesadelo a qual ele acorde no meio da madrugada e não consiga mais dormir, se o caso fosse esse, iria passar o resto da noite olhando para canais pornográficos até parar em um canal de um pastor gritando tão alto que chegava a ter o perigo da televisão explodir com o tom de voz da pessoa.
 ‘Deus não é surdo amigo... ’ Lance comentou em uma noite.
 — Eu estou morrendo por dentro, minha mão está tão mal enfaixada que tenho até vergonha de sair por ai com essa luva manchada de sangue! — Ele tentava colocar o máximo de drama possível somente para ver a reação de sua melhor amiga, olhando para ela em olhos brilhantes como de uma criança que acabou de fazer o que não devia.
 — Estou ocupada seu peso morto, por que não pede para Adam trocar o curativo? — Ela tentava parecer séria, obviamente rindo por dentro imaginando o pequeno loiro de óculos estrangulando o fumante de raiva depois de ontem.
 Lance se levanta do sofá para espiar no outro cômodo, observando Adam encolhido em um pequeno sofá com seu rosto enfiado nas páginas de um livro a qual ele parece totalmente entretido pela expressão concentrada, ele olha de volta para Medi Lusa mordendo o lábio apreensivo.
 — Se eu for lá agora é bem capaz de eu sair dali numa maca direto para o hospital...
 Medi olhou com o canto dos olhos para o loiro e seu medo de perturbar o pequeno leitor em uma expressão divertida, sequer tentando esconder o sorriso, enquanto rodava uma caneta entre os dedos.
 — Ele pode estar um pouco chateado contigo, se fosse qualquer pessoa ele iria fazer justamente o que disse, agora no seu caso é diferente, vamos tente! — Ela tentava incentivar o outro de qualquer maneira.
 Novamente Lance olhou para Adam, depois para Medi Lusa, e continuou a olhar para os dois obviamente indecisos sobre ficar do jeito que estar ou tentar reverter à situação com o perigo de ter uma faca enfiada no estomago.
 — Está legal... — Ele disse entre um longo suspiro, sabendo que a mulher dos cabelos bicolores queria ver o circo pegando fogo, em suas palavras.
 Ele entrou na pequena biblioteca em passos lentos para ter certeza que não iria fazer nenhum barulho, suas mãos atrás das costas enquanto aos poucos se aproximava de seu alvo, ficando na frente dele em um pequeno sorriso nervoso que em segundos estava parecendo um sorriso de um serial killer de tão forçado que estava. Ele continuou ali parado na esperança de que o garoto pudesse notar sua presença, o que não aconteceu, dando a entender que ele estava o ignorando, os dois ficaram ali nas posições em que estavam um querendo a atenção do outro, e o outro não dando um pingo de atenção, alguns minutos depois fez Adam abaixar seu Clube da Luta lentamente de seu rosto para fitar para a expressão quase doentia de seu companheiro de trabalho.
 — O que porra você está fazendo Lance?
 — Eu...
 O garoto arqueou uma sobrancelha desconfiado.
 — Você...
 — Eu queria... Bem... Eu queria...
 — Fala logo, meu Deus!
 — Eu quero a sua atenção!
 Adam agora estava dando total atenção ao que o outro disse com seus grandes olhos maquiado em lápis preto piscando confuso.
 — Minha atenção?
 Lance não poderia esperar por mais tempo para que pegasse o livro das mãos de Adam e arremessar para o chão, para o desespero do loiro de óculos que tentava sair do sofá para salva-lo, sendo impedido por mãos maiores que a dele o agarrando pelos ombros e o empurrando de volta para o sofá.
 — O que diabo está fazendo? — Ele perguntou em um misto de raiva e surpresa, tentando empurrar o homem pra longe de si sem sucesso.
 — Eu não gosto quando você fica chateado comigo...
 O garoto abriu os olhos surpreso com a afirmação, os lábios levemente separados como se quisesse falar palavras que no final se transformava em gemidos irreconhecíveis a qual nem mesmo ele sabia o que gostaria de ter falado no momento, ele parou de se debater nos braços do outro.
 — Mas a culpa é sua... É sempre sua, eu sempre falei pra ti o quanto que eu odeio que você está ou esteve relacionado com aquele monstro!
 A culpa é dele por ter deixado de se iludir com as palavras dele.
 — Eu sei disso, e peço desculpas por isso...
 A culpa é dele por deixar o garoto mais angustiado do que era.
 — Esse homem destruiu sua vida, não consegue enxergar isso seu estúpido?
 A culpa é dele por ser um babaca arrogante.
 — Fale tudo que ficou por anos preso na sua garganta Adam, talvez isso melhore um pouco e tire o peso da consciência. — Lance disse olhando com olhos quase fechados fazendo o máximo para conseguir olhar no fundo dos olhos do garoto e não desviar o olhar, já que é difícil conseguir engolir o que ele tinha a dizer.
 Ele esperou para que o garoto desabafasse tudo que queria, já tentando ter alguma ideia do comportamento sempre hostil e antissocial que ele tem quase desde que se conheceram, ele sabia que de qualquer forma ele poderia ter causado um pouco dessa tristeza sem mesmo ter percebido ao longo de todos esses anos, mas não sabia se ele conseguiria consertar sequer metade dos problemas. E os minutos se passavam esperando pacientemente, somente para perceber que Adam estava olhando um pouco abaixo de seu rosto, mais exatamente a sua mão enfaixada, a qual ele a pegou para olhar o curativo tão porcamente feito que Lance tentasse esconder a todo custo.
 — O que aconteceu com a sua mão, seu retardado? — Ele disse olhando assustado com as faixadas manchadas em sangue seco.
 Lance olhou para sua própria mão machucada fingindo estar tão surpreso quanto, sua expressão tão forçada que Adam sabia que ele estava fingindo, ignorando enquanto puxava o loiro para se sentar no sofá em seu lugar, o que o pegou de surpresa de verdade, olhando o garoto trazer os primeiros socorros em tom tão preocupado que ele suspirou no momento.
 — Pare de ficar com essa cara, eu não estou morrendo, é só um corte idiota.
 — Essa é a mesma frase que você fala até mesmo depois de ter o estomago perfurado por um monstro. — O jovem diz olhando impaciente para o loiro.
 Lance apoiava a cabeça entre as mãos enquanto olhava preguiçosamente para seu amigo, que estava desamarrando as ataduras sujas para dar uma melhor visão para o corte não tão profundo na palma da mão, mas que ele sabia que ainda está latejando um pouco de dor, prestando atenção na expressão de dor que o homem mais velho fez com os olhos quando o garoto passou de leve os dedos pequenos entre o corte, ele tentou disfarçar, Lance sempre tenta disfarçar qualquer coisa que sente, e Adam imaginava que era porque ele não gostava de demonstrar emoções negativas descaradamente para qualquer um, como ele mesmo tentando esconder as suas das pessoas e falhando miseravelmente.
 O jovem não tinha ideia de seus próprios atos quando levou a palma da mão de Lance perto dos lábios, passando a língua pelo corte e saboreando o gosto metálico de seu sangue, isso fez o loiro mais velho sentir um leve arrepio em sua espinha, observando atentamente cada movimento que o garoto fazia quase que ansiando por mais sangue, ele pensou que deveria ter algum tempo que ele não sentia o velho gosto que Adam tanto adorava, mas que aos poucos eles estavam mais discretos e reservados sobre esse caso, já que uma vez o garoto sentia vergonha de perguntar algo como ‘Eu estou com fome, deixa eu te morder?’.
 Lance não tinha grandes problemas quanto a sede vampírica dele, de qualquer forma ele nunca se importou tanto, porem nunca comentando momentos como este para as outras pessoas, era um momento apenas deles, se sentiam próximos demais um do outro a esse ponto, onde Lance era como um porto seguro para Adam, os anos de convivência dos dois que acabou surgindo um sentimento forte de afeto entre os dois.
 O que mais tarde acabou num sentimento de amor que Adam reprimiu por tantos anos até os dias de hoje.
 E Lance sabia disso.
 — Poderíamos sair qualquer dia desses, você sabe, eu e você. — Lance disse em um sorriso que ele esperava ser sedutor, mas que acabou deixando-o parecer um cafajeste de novela.
 Adam lambia a cicatriz até ao ponto dela parar de sangrar levemente, ele levantou a cabeça para fitar o homem, os olhos antes azul e verde, estavam dominados por amarelos brilhantes que gritavam a fome que o damphir tinha antes, ele continuava a olhar curioso por um tempo a Lance antes de mostrar um pequeno sorriso a qual dava para ver seus caninos, seu olhar estava mudado naquele momento, era olhos de um adulto assassino pertencendo a um pequeno adolescente.
 — Estas a me convidar para um encontro, somente nós? — Sua voz não era mais de um adolescente entrando na vida adulta, era profunda e acentuada, e Lance sentia um tom até erótico vindo da pergunta do jovem.
 — Faz tanto tempo, e mesmo assim ainda anseio para ter você completamente em carne e osso na minha frente. — O loiro mais velho disse ao mostrar um pequeno sorriso em seu rosto, era algo melancólico que dessa vez ele não queria disfarçar.
 — Continua uma pessoa tão egoísta, não se contenta apenas com a minha alma, tu precisa de meu corpo para saber que estive sempre ao seu lado, seguindo fielmente cada ordem sua.
 Ele tinha razão, Lance além de egoísta ainda era ciumento com as pessoas que ele desejava a seu lado, apenas a voz e os olhos de seu fiel companheiro não era o bastante para matar uma saudade que o homem vivia carregando há anos, ele se lembrara da aparência quase desumana que Adam tinha quando eles se conheceram, era tão diferente, o cabelo, o corpo, os olhos, a voz, e suas atitudes, mesmo neste corpo pequeno e frágil, o garoto continuava com seus conselhos a qual o salvou de muitas tentativas de suicídio anos atrás, seus métodos e suas palavras chegavam a ser tão afiadas quanto à navalha que ele usava para tentar se matar, e aquilo doía mais que a navalha, doía no garoto também, ele queria o ajudar, e Lance queria ajuda-lo, por vezes acabando piorando a situação em que se encontravam, por vezes ouvindo xingamentos horríveis que já eram comuns de saírem daquela boca, e por outras ouvindo algo do tipo ‘Iremos sair dessa situação porque eu tenho você, e você a mim, seu grande idiota!’.
 Como ele amava Adam o xingando.
 — Se está com tantas saudades assim... — Adam sussurrava na voz do outro enquanto empurrava o seu facão enorme para as mãos dele, em um sorriso de óbvia malicia. — Vamos, quebre essa porcaria!
 Lance notou o que o garoto queria com esse gesto, e ele não iria fazer, quebrar a arma de Adam e libertar esse espírito é quase que um ato contra a vida humana, se o Adam em seu estado psíquico normal já mata pessoas escondido dos amigos para saciar sua sede, quem dera o Adam verdadeiro.
 — Você continua a tentar me manipular de todas as formas. — ele acaba deixando uma pequena risada escapar dos lábios. — A respostas continua sendo não, mas você continua sendo o meu favorito. — Ele começou a acariciar os longos cabelos loiros claros do garoto. — Você aceita o meu pedido?
 Adam se levanta do chão, enquanto Lance estava quase ao ponto de se declarar, ele já tinha feito um novo curativo na mão do homem, se afastando devagar enquanto pegava o livro a qual ele estava jurando que era mais importante que o líder idiota da agência, ele se virou de volta para fitar aos olhos branco e vermelho de Lance.
 — Mesmo tendo um poder de regeneração incrível, me arriscando a dizer que seja o melhor de Izzylude, se recusa a curar um simples corte na mão para vir se humilhar para mim em troca de carícia. — Ele acha divertido como o mais velho presta atenção em suas palavras como uma criança atenta a um programa infantil. — Lance Maroswak, o Mestiço Renegado que oficialmente declarou uma revolta contra Deus e seus subordinados... O mesmo Lance a qual está na minha frente...
 O homem inclinou a cabeça de leve com a mão cobrindo os lábios, seu olhar pensativo olhando o pequeno garoto da cabeça aos pés, muitas pessoas vomitando tais palavras seriam decapitadas pela espada de Lance, essas mesmas frases ditas na voz de Adam chega a ser cômico, como dito, ele gosta de quando Adam o xinga, nesse caso ele está fazendo pouco de sua pessoa, mas ele sempre gosta de levar na brincadeira.
 Adam se aproximou de Lance, agarrando algumas mechas dos loiros escuros de seu cabelo, sua expressão era inexpressiva, somente a expressão, pois o garoto nunca conseguiu disfarçar o que realmente sentia através dos olhos, e olhando-os o mais velho acreditou que ele estava confuso, ele não sabe qual o motivo da confusão exatamente.
 — Você é um homem tão tolo, Lance. — Ele disse, aos poucos deixando cada fio de cabelo do homem escorregar por entre seus dedos. — Sua tolice irá custar sua vida se continuar. — Ele olhou para sua mão a qual tinha a ausência dos fios a qual ele tanto adorava acariciar ou puxar em momentos de raiva, em sua mente acreditava que Lance ainda iria causar a própria morte, e não seriam pelos seus defeitos, e sim pelas suas qualidades.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

 Apenas um trecho de um dos capitulos de Invisible Martyr, um livro a qual escrevo a passos de tartaruga, porem com todo o amor que eu dedico a meu amor por contar histórias, e meu amor a Lance Maroswak, o personagem a qual protagoniza a maior parte do livro (Quit não curtiu isso, Quit marcou como spam).

 Quando eu tiver um pouco mais de paciência irei contar mais sobre esse projeto pessoal que desejo colocar as estantes de livros desde os 15 anos. (: 

P.S: Juro pela mamãezinha que tem dois homens no desenho que fiz, são apenas cabeludos afeminas, pô.

Nenhum comentário:

Postar um comentário